O 3T25 reforçou a trajetória de crescimento consistente da CSU Digital, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador, marcado por juros elevados, maior seletividade de crédito e desaceleração pontual da atividade empresarial. A companhia manteve evolução operacional sólida, sustentada pelo modelo _full service_, pela diversificação do portfólio e pelo avanço das soluções baseadas em _inteligência artificial_, que seguem como principal vetor de diferenciação competitiva.
A receita líquida atingiu R$153,7 milhões, crescimento de 9,1% em relação ao 3T24, refletindo o fortalecimento do relacionamento com clientes, a ampliação gradual do uso das plataformas e a expansão das soluções digitais nas duas verticais de negócio.
A CSU Pays, principal vertical da companhia, registrou receita líquida de R$95,7 milhões, avanço de 3,0% a/a, mantendo trajetória de crescimento consistente, embora em ritmo inferior ao observado nos principais indicadores operacionais. Esse descasamento decorre da estratégia deliberada de renovação antecipada de contratos com vencimento em 2025 e início de 2026, o que implicou renúncia pontual de cerca de R$4 milhões por trimestre em receita, em troca de maior previsibilidade e extensão do relacionamento de longo prazo.
Do ponto de vista operacional, a CSU Pays apresentou expansão relevante da base de contas e cartões cadastrados, que alcançou 37,7 milhões (+5,7% a/a), enquanto as unidades faturadas cresceram 11,5% a/a, totalizando 24,2 milhões. A taxa de ativação subiu para 64%, refletindo maior engajamento dos usuários finais e reforçando a forte correlação entre crescimento operacional e potencial de monetização futura.
A CSU DX foi novamente o grande destaque do trimestre, com receita líquida de R$58,0 milhões, crescimento expressivo de 21,0% a/a. O desempenho foi impulsionado pela crescente adoção da solução HAS, baseada em _hiperautomação_ e _inteligência artificial_, que tem se mostrado especialmente relevante em um cenário no qual os clientes buscam ganhos de eficiência, redução de custos e maior produtividade operacional. Desde o lançamento da plataforma, já foram assinados dez contratos, sendo dois novos clientes apenas no 3T25, com impacto mais relevante esperado a partir do 4T25.
O lucro bruto consolidado somou R$61,8 milhões, alta de 4,3% a/a, com margem de 40,2%, ligeiramente inferior ao 3T24. A compressão marginal da margem reflete o aumento de custos associado à expansão da estrutura operacional, à reoneração da folha de pagamentos e aos investimentos iniciais em novos contratos e frentes estratégicas.
O EBITDA atingiu R$46,5 milhões no trimestre, queda de 3,7% a/a, com margem de 30,2%, impactado principalmente pelos maiores investimentos em novas iniciativas, despesas com pessoal e reforço das áreas de tecnologia, segurança cibernética e compliance. Excluindo os efeitos da reoneração da folha e dos projetos estratégicos, o EBITDA ajustado teria alcançado R$56,2 milhões, crescimento de 8,0% a/a, com margem de 36,8%, evidenciando a robustez do resultado recorrente.
O lucro líquido somou R$23,8 milhões, crescimento de 7,5% a/a, com margem líquida de 15,5%, beneficiado pela evolução operacional e pela redução da alíquota efetiva de imposto, decorrente da retomada do aproveitamento de créditos fiscais ligados à _Lei do Bem_. Em base ajustada, o lucro líquido teria atingido R$33,1 milhões, com margem de 21,7%.
A geração de caixa operacional foi um dos principais destaques do trimestre, totalizando R$60,6 milhões, crescimento de 49,3% a/a, com conversão de 98% do EBITDA em caixa nos últimos doze meses. O resultado foi favorecido pela melhora no capital de giro, especialmente pela regularização de contas a receber e pelo alongamento de prazos com fornecedores, reforçando a disciplina financeira da companhia.
Conclusão do Analista
Reconhecemos a qualidade da operação e o potencial de crescimento da companhia, sustentados por um modelo de negócios escalável, geração consistente de resultados e boas perspectivas de execução. Diante do balanço entre riscos e oportunidades, e considerando a atratividade da relação risco-retorno nos níveis atuais, optamos por recomendar COMPRA para as ações da CSU Digital (CSUD3).