O 3T25 marcou um trimestre operacionalmente muito forte para a Vale, que registrou avanços importantes em produção, custos, execução de projetos estratégicos e reforço de segurança, sendo o melhor trimestre de produção de minério de ferro desde 2018, além do melhor 3º trimestre de cobre desde 2019, enquanto o níquel mostrou um processo claro de recuperação operacional.
A receita líquida somou US$10,42 bilhões, crescimento de 9% a/a, sustentado por volumes mais altos e realização de preços mais favorável, tanto em minério de ferro quanto em cobre. Em relação ao trimestre anterior, houve avanço de 18%, reforçando a combinação de maior demanda, normalização operacional e execução eficiente da cadeia logística.
O EBITDA consolidado proforma consolidado alcançou US$4,4 bilhões, crescimento de 17% a/a e 28% t/t, sustentado por maiores volumes de minério de ferro e cobre, além de menores custos de frete e redução de despesas operacionais. A margem EBITDA proforma subiu para 42%, ganho de 3 p.p. frente ao 3T24, refletindo maior eficiência operacional e retomada gradual dos preços das commodities metálicas.
O lucro líquido proforma atingiu US$2,7 bilhões, avanço expressivo de 78% a/a, influenciado principalmente pelo crescimento do EBITDA e pela ausência dos impactos não recorrentes que afetaram o resultado do 3T24, como a provisão extraordinária da Samarco registrada naquele período. O lucro líquido atribuível aos acionistas somou US$2,685 bilhões, 11% acima do mesmo trimestre de 2024.
A geração de caixa foi outro ponto positivo relevante. O Fluxo de Caixa Livre recorrente alcançou US$1,56 bilhão, crescendo 205% a/a, apoiado na expansão do EBITDA e no consumo de capital de giro mais benigno. Do lado do endividamento, a dívida líquida expandida recuou para US$16,6 bilhões, queda de US$0,8 bilhão t/t, favorecida pela forte geração de caixa.
Conclusão do Analista
A Vale atravessou, nos últimos anos, um processo relevante de reestruturação operacional e redução de riscos, com avanços importantes em segurança, disciplina financeira e diversificação de portfólio. A companhia segue como uma das maiores e mais eficientes produtoras globais de minério de ferro, com posição de custo competitiva e geração de caixa robusta mesmo em cenários menos favoráveis de preço.
Por outro lado, o alto peso do minério de ferro na composição dos resultados mantém a empresa fortemente exposta à volatilidade do ciclo de commodities e à demanda chinesa. Apesar dos avanços em metais de transição e da melhora estrutural do negócio, o valuation atual já reflete boa parte desses atributos. Assim, a tese segue sustentada por fundamentos sólidos, mas com menor margem de segurança frente às incertezas do cenário global. Recomendação de aguarde.