A Minerva atravessa um momento operacionalmente desafiador, reflexo direto de um setor altamente cíclico e de margens estruturalmente comprimidas. Apesar do aumento relevante de escala nos últimos anos, a companhia ainda encontra dificuldade para converter volume e receita em rentabilidade consistente, em especial devido à dinâmica desfavorável do ciclo pecuário e ao peso do resultado financeiro.
A ampliação da capacidade produtiva consolidou a Minerva como a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, o que fortalece sua posição comercial e amplia a capacidade de diluição de custos ao longo do ciclo. No entanto, em um ambiente de spreads apertados, esse ganho de escala tem efeito limitado sobre a margem, funcionando mais como um fator defensivo do que como gerador imediato de rentabilidade.
A forte exposição ao mercado externo segue como um diferencial relevante, com a Ásia — especialmente a China — desempenhando papel central no escoamento da produção. Esse posicionamento permite arbitragens geográficas importantes, mas passa a conviver com novos riscos regulatórios, como a imposição de cotas de importação, que tendem a limitar volumes e pressionar preços em determinados mercados no curto prazo.
Do lado de custos, o modelo de negócios permanece altamente sensível ao preço do gado, que representa a maior parcela do custo dos produtos vendidos. A volatilidade dessa variável continua sendo o principal determinante da margem operacional, e períodos de compressão significativa — inclusive com resultados negativos — seguem sendo parte inerente da dinâmica do setor frigorífico.
Embora a operação industrial apresente relativa estabilidade ao longo do tempo, o desempenho consolidado tem sido fortemente impactado pela estrutura financeira. O aumento das despesas financeiras e os efeitos de instrumentos de hedge cambial seguem pressionando o lucro líquido, indicando que a fragilidade atual está mais concentrada no balanço do que na execução operacional.
A alavancagem em torno de 2,5x dívida líquida/EBITDA é administrável, mas elevada para um negócio tão exposto a ciclos adversos. A melhora estrutural da tese depende, principalmente, da normalização do ciclo pecuário e de uma trajetória clara de desalavancagem, condições necessárias para que os ganhos de escala se traduzam em geração consistente de valor ao acionista.
Conclusão do Analista
A Minerva segue fortemente exposta aos ciclos das commodities, com elevada dependência da demanda chinesa e sensibilidade a choques de preço, sanitários e regulatórios. Apesar desse cenário ainda desafiador no curto prazo, os ganhos de escala recentes, a maior diversificação geográfica e a melhora gradual da estrutura financeira após o aumento de capital reduzem parte dos riscos observados anteriormente. Diante desse equilíbrio entre avanços estruturais e um ambiente operacional ainda volátil, entendemos que a relação risco-retorno deixou de justificar uma posição de venda, mas ainda não sustenta uma recomendação de compra. Assim, elevamos a recomendação para AGUARDE para as ações da Minerva (BEEF3).